O quê??!
(16/10)
"Mariana, a campainha.", Mangle comentou, chamando a pequena menina e captando a sua atenção.
"Estou a ir!". Mariana correu para porta, decidindo espreitar pela abertura antes. "É uma amiga minha da escola, escondam-se!", sussurrou para o resto, nervosa. Os Freddy's esconderam-se no seu quarto rapidamente. A jovem abriu a porta, cumprimentou a sua amiga e tentou manter a calma.
"Podes entrar Marta! Vamos ali para a sala". Dirigiram-se para a divisão à sua esquerda e sentaram-se no sofá de pele localizado no centro da sala, encostado a meio da parede. "Então... porque é que vieste cá? Pensava que só íamos sair à tarde".
"Sim, mas queria vir para cá um pouco para poder estar contigo.", respondeu-lhe, deixando a rapariga de cabelos longos lisonjeada.
"Okay... Ela só veio cá para estar comigo. Não se passa nada, Mariana, não há nada com que te tenhas de preocupar, os outros vão ficar no quarto até ela se ir embora". Claro que isso não durou por muito, a conversa das duas foi interrompida com um estrondo vindo do quarto onde o resto estava.
"O que foi aquilo?", perguntou a sua amiga num tom hesitante.
Pensando que conseguia escapar desta estranha situação, respondeu com "'Aquilo' o quê?", Marta olhou-lhe com estranheza, "Mariana... Acabou de cair algo... Não ouviste?".
"... Não sei do que estás a falar, hahaha... Se calhar estás a ouvir coisas. Já agora, não queres comer algo?", tentou desviar o assunto, "Porquê a mim?!", chorou internamente.
"Não.", disse a hóspede, levantando do assento castanho, dirigindo-se diretamente para a origem do barulho, desconfiada.
"Marta! Onde vais?", os seus nervos aumentavam a cada segundo, correndo atrás da menina, tentando-a parar.
"Vou ver o que foi isto, claro. Estás estranha.", continuou até chegar à divisória. Ao analisar o quarto assustou-se logo, perante os seus olhos estavam 5 robôs em forma de animais, cerca de dois metros e meio de altura, a fixarem o seu olhar nela, com mero metro e quarenta. Claro, para Mariana, que estava habituada a ver todo o tipo de coisas fora do normal e estando especialmente habituada a viver com aquelas criaturas, aquela vista não lhe fazia o mínimo de impressão, mas a sua amiga congelou no sítio, começando a transpirar bastante.
A pequena rapidamente notara que a sua colega de escola não reagira bem ao que tinha acabado de ver. A sua irmã bem a havia avisado, "Mariana, por favor, seja qual for a circunstância, mantém os Freddy's muito bem escondidos. Eu sei que gostas de passar tempo com os teus amigos, mas tens de ter cuidado, se eles forem descobertos terão de voltar embora para Panjoyous.", apesar de não entender muito bem o porquê, prometeu-lhe fazer o máximo ao seu alcance para que ninguém descobrisse o seu segredo. "Marta!", puxou-a para outra sala, a menina ainda paralisada de medo. "Okay uh... Então, por favor ouve-me e tem calma.", apenas obteve um leve acenar como resposta.
"Eu confio em ti e não quero que contes aos outros. A sério, peço-te com tudo o que tenho, que não contes a ninguém o que te vou contar agora, não importa o quão estranho e bizarro soe, okay?".
A sua amiga respondeu com um leve "sim" e mais um acenar frenético.
"Sabes da minha "mãe", Fátima, certo? Bem... Ela não é a minha mãe, é minha irmã mais velha. A minha mãe e o resto da minha família está num planeta chamado Panjoyous, onde todas as personagens de jogos, séries, e tudo o que possas imaginar vivem. Eu sei, é estranho, mas aqueles animatrónicos que viste também vêm de lá, porque eu não posso viver sozinha cá em casa e a minha irmã não pode ficar a olhar por mim porque está ocupada quase sempre, então pediu-lhes para virem olhar por mim enquanto estou na escola. É isso.".
Finalmente quebrara o silêncio, "Já está?", perguntou.
"Sim, basicamente é isso.".
"Eu não acredito nisso.", Mariana ficou estupefacta com a resposta que recebera.
"Esforcei-me tanto para não dizer tudo e é assim que ela reage?!". "C-Como assim não acreditas? Não os viste?", apontou para a parede ao seu lado, como se fosse invisível.
"Vi.".
"Então como é que não acreditas?!". "Mariana, mantém a compostura.", a voz de Faye ecoara na sua cabeça. "Sim mana, eu sei", fingiu responder-lhe.
"Um planeta diferente, a sério? Como é que achas que isso seria credível?", Marta havia começado a utilizar aquilo que os amigos chamavam de 'palavras caras', ela a melhor aluna da turma, afinal de contas.
"Okay, podes não acreditar nisso, mas quanto ao que viste ali? Também vais escolher não acreditar?".
"Como é que aquilo está cá?".
Mariana ficara ligeiramente incomodada com a pergunta. "Eu disse-te isso agora mesmo! Eles vieram para cá para olharem por mim!".
"Mariana, eu quero uma explicação a sério, sem inventares nada.", contestou.
"Bolas, Marta! Eu estou a dizer a verdade! Queres ir perguntar-lhes? Já que não acreditas em mim.", a pequena cruzou os braços e olhos para o vazio de forma dramática.
"Não, quero que tu me expliques.", apesar da sua amiga estar cada vez mais agitada, Marta mantivera o seu tom sereno, como sempre.
A jovem lançara-lhe um olhar pesado, desistindo de contestar e tentando procurar outras formas de provar o seu ponto. Suspirou, "O que é que posso fazer para que acredites em mim?".
"Como assim?".
"Para que acredites no que te estou a dizer", soltou outro suspiro de forma dramática.
Marta tentou protestar mas rapidamente foi interrompida pela sua amiga, "Olha, eu vou-te levar de volta para perto deles,", referindo-se aos Freddy's, "pode ser que confies mais neles". Empurrou-a para fora do quarto e retornando às divisão anterior.
Ao chegarem lá o ambiente voltou a tornar-se pesado, sem ninguém saber o que dizer, até que Mariana decide quebrar o silêncio.
"A Marta não acredita que a Faye é a minha irmã e que mora em Panjoyous", foi a primeira coisa que se lembrou de acusar, ignorando o resto da informação por pura preguiça. Ficaram todos calados, o que era suposto responderem àquilo?
Ninguém abria a boca por nada, então Freddy decidiu começar, hesitante. "Bem... Não sei se é a melhor opção contar-lhe Mariana...".
"Se ela já vos viu porque é que não se pode contar tudo? Eu confio nela!", já estava a ficar exaltada "Qual é a dificuldade?!".
"Eu-", Marta tentou interromper.
"Não podes confiar em alguém só porque essa pessoa parece simpática", argumentou o urso.
"Okay, mas eu acho que a Marta é-".
"Eu ainda estou aqui.", manifestou-se finalmente, levantando o seu tom de voz ao ponto de cada um focar a sua atenção nela.
"Oh... Pois, desculpa Marta.", Mariana sentia-se mal pelo que esta considerava um descuido. A sua amiga voltara ao seu estado inicial de silêncio, disfarçando a sua embaração com uma expressão serena e quieta. Sem muita demora, os olhos de Mariana focaram-se em Freddy num instante, tentando passar a mensagem de "Conta-lhe tudo", claro que com a seriedade no seu olhar apanhara o enorme robô de surpresa, decifrando com sucesso a sua mensagem subliminar.
Logo a conversa se desenrolou e tudo foi esclarecido, deixando a jovem humana espantada. Ora claro, como é que uma simples criança conseguiria entender algo que nunca havia visto antes? E sem qualquer tipo de evidência? Bem, de alguma forma há de ter sido.
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